Arcade Fire, it’s like a cancer
Um mês depois do concerto dos U2, o qual o João Pedro associava, em forma de promessa, a um fim de ciclo, encontrei este CD, esta "pérola", será certamente assim que o Telmo o definirá. E não foi por me apaixonar logo pelas músicas, tal como me tinha acontecido com os Tindersticks, ainda adolescente, ou com os Sigur Rós, que percebi a importância deste objecto e da sua projecção em mim. Não. Foi por acreditar instantaneamente que, e acredito ainda agora, onde eu não sentia a música do meu primo e onde ele desvalorizava a minha, exactamente aí nesse lugar, nessa terra de ninguém, se encontra este Funeral. Mas este povoamento vai mais longe. Chega ao Alentejo e chega a Junho, chega àqueles fins-de-tarde onde nem sempre se ouvia música. Agora, onde a memória é silenciosa, entra este fogo invasor como banda sonora para aqueles momentos em que só olhávamos, ou só nos olhávamos, porque se na altura esses eram os melhores momentos, hoje já não fazem qualquer sentido, são um tempo de ninguém.
Hoje ouço Arcade Fire e tento dar um sentido cíclico à vida, tento encontrar um ou mais padrões, só para ser mais fácil, para melhor compreender o que já é simples e, talvez por isso mesmo, difícil de sentir. O João Pedro disse: "O que os concertos têm de melhor é que não se pode baixar o volume"; eu digo: O que a vida tem de melhor é que pode-se sempre complicá-la. Nós não queremos ser simples como as estradas na costa alentejana, nós queremos ser simples como as estradas na costa alentejana mas com uma grande banda sonora. Nós queremos que a nossa vida seja um filme, ou um ciclo de cinema.
Hoje ouço Arcade Fire e desejo tê-los ouvido no passado mês de Junho, ou desejo estar agora na Galé a ouvi-los tal como sou neste preciso momento. Não sei. Nunca foi o meu forte, sempre confundi Tempo e Espaço. Sei que não chamo a este desejo ou ao povoamento de que falei um processo de reviver, não, nem mesmo quando re-inspiro aqueles momentos em que entrevíamos o mar nas estradas simples, nem mesmo quando revejo as mãos que falavam e agora são silêncio.
Hoje ouço Arcade Fire e ouço-os repetidamente.
Aveiro, Outubro de 2005
Hoje ouço Arcade Fire e tento dar um sentido cíclico à vida, tento encontrar um ou mais padrões, só para ser mais fácil, para melhor compreender o que já é simples e, talvez por isso mesmo, difícil de sentir. O João Pedro disse: "O que os concertos têm de melhor é que não se pode baixar o volume"; eu digo: O que a vida tem de melhor é que pode-se sempre complicá-la. Nós não queremos ser simples como as estradas na costa alentejana, nós queremos ser simples como as estradas na costa alentejana mas com uma grande banda sonora. Nós queremos que a nossa vida seja um filme, ou um ciclo de cinema.
Hoje ouço Arcade Fire e desejo tê-los ouvido no passado mês de Junho, ou desejo estar agora na Galé a ouvi-los tal como sou neste preciso momento. Não sei. Nunca foi o meu forte, sempre confundi Tempo e Espaço. Sei que não chamo a este desejo ou ao povoamento de que falei um processo de reviver, não, nem mesmo quando re-inspiro aqueles momentos em que entrevíamos o mar nas estradas simples, nem mesmo quando revejo as mãos que falavam e agora são silêncio.
Hoje ouço Arcade Fire e ouço-os repetidamente.
Aveiro, Outubro de 2005
1 Comments:
Bom, pelo menos ja temos 2 gostos em comum: os ARCADE FIRE e o SPORTING!
Boa Tarde. Procuro quem Me possa indicar os contactos da Equipa que gere o Blog CENTURIA LEONINA.
Pode ajudar-Me?
Grato
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